Compositor: Quietanto
Hoje eu abri a gaveta das cartas
Que nunca tive coragem de enviar
Papel amarelado, cheiro de chuva
Frases paradas sem desembarcar
Cada folha, um pedaço de estrada
Que eu desviei com medo de me encontrar
Cada folha, um pedaço de estrada
Que eu desviei com medo de me encontrar
Revisei meus amores antigos
Como quem passa a limpo um jornal
Não deu lucro, não deu conta exata
Mas deu essa lucidez desigual
Esse jeito de encostar no outro
Pedindo desculpa por ser real
Esse jeito de encostar no outro
Pedindo desculpa por ser real
Porque não era hora
Porque eu tinha medo
Porque não era hora
Porque eu tinha medo
Porque
Quis ser inteiro demais
Pra caber na vida que tinha
Quis ser inteiro demais
Pra caber na vida que tinha
Passei o dedo nas marcas do rosto
Mapa de rios que o tempo cavou
Não é vaidade, é topografia
Cada ruga, um atalho que eu não andei
E o depois chegou feito trem noturno
Levando em silêncio quem eu não escutei
E o depois chegou feito trem noturno
Levando em silêncio quem eu não escutei
Agora, com o prédio já dormindo
E um cão distante latindo ao léu
Eu faço o meu inventário de cicatrizes
Os nomes que deixei passar ao lado
As viagens que nunca saíram do papel
As brigas que alonguei só pra ter razão
As músicas que parei antes do refrão
As brigas que alonguei só pra ter razão
As músicas que parei
Antes do refrão
Porque não era hora
Porque eu tinha medo
Porque não era hora
Porque eu tinha medo
Porque
Quis ser inteiro demais
Pra caber na vida que tinha
Quis ser inteiro demais
Pra caber na vida que tinha
E é isso que arde
Descobrir, nessa curva da serra
Que a gente também é feito
Do que deixou de sentir
Do que deixou de sentir
Do que deixou de sentir
Quis ser inteiro demais
Pra caber na vida que tinha
Quis ser inteiro demais
Pra caber na vida que tinha
Quis ser inteiro demais
Pra caber
Na vida que tinha
Quis ser inteiro demais
Pra caber na vida que tinha